quarta-feira, 20 de junho de 2012

Descobertas referentes aos Padrões Cognitivos no Esporte!

Os padrões de pensamento e sua influência na performance do atleta já tem sido estudados há muito tempo na área esportiva. Cada vez mais é considerado importante na preparação psicológica também, o levantamento de pensamentos, sentimentos e atitudes que o atleta tem em relação a si mesmo e ao ambiente esportivo. Num post anterior comentei a respeito do modelo cognitivo, que é uma abordagem da psicologia, que tem como princípio que os nossos sentimentos e comportamentos são determinados pelos pensamentos e não pelas situações que nos ocorrem. A integração do pensar, sentir, agir e interagir é evidente e se faz presente na experiência humana.
Um estudo publicado no Journal of Cognitive Therapy and Reseach, investigou treze ginastas masculinos durante os ensaios finais para a equipe olímpica norte americana. O objetivo era tentar encontrar correlações entre os fatores psicológicos e as estratégias cognitivas para o desempenho atlético elevado. Os resultados sugeriram que padrões variáveis de cognição podem ser fortemente correlacionados com o sucesso e o desempenho máximo na ginástica. Alguns fatores definiram os melhores ginastas do grupo, dentre eles: freqüência de sonho, auto-verbalizações, os padrões de ansiedade, métodos diferentes de lidar com o stress competitivo e certas formas de imagens mentais.
Outra pesquisa semelhante publicada no Journal of Applied of Sport Psychology, examinou as características psicológicas e o seu desenvolvimento nos campeões olímpicos. Dez campeões olímpicos dos Estados Unidos da América foram entrevistados, um dos seus treinadores e um dos pais, tutor ou outra pessoa importante também foram. Os desportistas também passaram por uma série de testes psicológicos. Nos resultados, os psicólogos caracterizaram todos os atletas por:
- A capacidade de lidar e controlar a ansiedade;
- Confiança;
- Tenacidade mental/resiliência;
- Inteligência esportiva;
- A capacidade de focar e bloquear as distrações;
- Competitividade;
- A ética de trabalho duro;
- A capacidade de definir e atingir metas;
- Altos níveis de esperança disposicional;
- Otimismo;
- Perfeccionismo adaptativo.
Por isso, o primeiro passo para qualquer mudança em si mesmo(atleta) e nas suas relações, é a busca do autoconhecimento, se dispor a ter ciência dos seus processos de pensamentos, sentimentos e atitudes. O próximo passo é aplicar rotinas preparatórias com estratégias e recursos cognitivos e emocionais diversos na sua vivência esportiva, nos treinamentos e nas competições, para deste modo, experienciar boas e novas maneiras de pensar, sentir, agir e interagir.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Explicações psicológicas para a Obesidade!

A obesidade pode ser definida como uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal que acarreta para as pessoas uma diminuição na qualidade de vida, menor autonomia, diminuição da vitalidade e da capacidade funcional para as tarefas cotidianas. Além disso, os obesos tornam-se estigmatizados na medida em que não se enquadram nos padrões hegemônicos de beleza da sociedade moderna, se sentem rejeitados devido às fortes pressões desta para as pessoas serem magras. O isolamento social e afetivo cresce, juntamente com a angústia, a depressão, a baixa auto-estima e a sensação de abandono.
Nas fases de desenvolvimento de Freud, denominadas de psicossexuais, ele apontava onde poderia estar inserida a origem dos problemas psicológicos relacionados ao obeso ou pessoas com excesso de peso, como por exemplo, na fase oral, correspondente ao 1o. ano de vida, na qual a criança busca satisfazer sua necessidade sexual pela boca, possuindo prazer através da sucção. Caso essa necessidade não fosse atendida, segundo ele, a criança desenvolveria a chamada fixação nas atividades orais, tornando-se gulosa.
No ciclo de desenvolvimento humano de Pamela Levin, nos primeiros meses de vida, correspondentes ao estágio 1, no qual o indivíduo desenvolve o “poder de ser”, tem como características a necessidade de contato físico, íntimo e agradável e que tem como uma das tarefas, experimentar a sensibilidade da boca, denotando a importância da amamentação e da relação mãe-bebê.
A alimentação, desde os primeiros meses de vida, tem uma conotação afetiva forte e uma ligação com a figura materna, se a mãe utilizou a comida para aliviar os sintomas de desconforto do bebê, é provável, que na vida adulta ele volte a utilizar desse recurso como um “elixir” para as suas angústias e preocupações, fazendo algumas vezes do alimento, sua única fonte de prazer. As relações estabelecidas com essa mãe, tendo sido ela negligente ou superprotetora, e o modo como ela mesma lida com a nutrição, pode ser análoga à relação que o indivíduo vai constituir com o alimento.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Conexão da Auto-estima com o Esporte!

A capacidade mental de cada atleta é que vai poder lhe proporcionar a realização de suas metas de modo efetivo. À medida que se concretiza o trabalho para aumentar esta capacidade mental, conseqüentemente, são reforçados fatores psicológicos que exercem influência significativa em importantes características pessoais, como auto-estima e valores morais.
Em estudo realizado com especialistas em Psicologia do Esporte (GOULD, TAMMEN, MURPHY & MAY *, 1989, citado por GOULD & DAMARJIAN, 2000), sobre os tópicos mais utilizados por eles em consultórios, relacionados ao desempenho e os não relacionados ao desempenho, tanto em consultas individuais como em grupo, ficou com o tópico auto-estima a maior nota, referindo-se aos não relacionados ao desempenho. Portanto, para eles a auto-estima tem sua importância, porém não é relacionada diretamente ao desempenho.
   Juntamente com o lar e os meios ambientes próximos, o mundo do esporte competitivo pode ser uma importante incubadora para produzir atletas inseguros que desenvolvem uma necessidade em defender a auto-estima deles, conforme STEVE BERGLAS*, Psicólogo da Escola Médica de Harvard. (citado por CLARKSON, 1999). Quando o indivíduo tem um foco específico de competição vindo de uma infância prematura, ele está incrivelmente dependente daquela competição, isto pode vir a ser tudo e o fim de tudo na auto-estima de um homem.
       A auto-estima, assim como os outros aspectos psicológicos terá sua particularidade em cada desportista. É possível observar que a pressão existente no ambiente esportivo vai ter como reflexo em cada participante uma variação de auto-estima positiva e negativa ou até mesmo sua ausência. Mesmo que o atleta apresente auto-estima negativa, se ela tiver utilidade para sua produtividade ele a manterá. Da mesma forma, essa pressão poderá servir como um estímulo para o reforço de uma auto-estima positiva.
Numa situação competitiva a exposição de um atleta é evidente, e se ele apresenta uma baixa auto-estima estará muito vulnerável ao julgamento dos outros, incluindo-se entre eles torcida, técnico, companheiros de equipe e imprensa. Muitas vezes o atleta opta em função disto, não perder, ou seja, não se arrisca muito para não ser inadequado, ao invés de investir para vencer e ser o melhor, até mesmo porque não acredita em seu talento e capacidade.
Teóricos consideram que geralmente a auto-estima é influenciada e formulada por “feedback” vindo do meio ambiente, e o aumento da auto-estima é normalmente considerado como um processo que requer assimilação de “feedback” positivo, sucesso ou senso de competência elevado.  


* Fonte não fornecida pelo autor.
* Fonte não fornecida pelo autor.
*A. Kohn, No contest: the case against competition. New York: Houghton Mifflin, 1986, 1992.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Estudos associados aos Benefícios de Ser um Indivíduo Ativo Fisicamente!

Uma pesquisa realizada na Universidade do Estado de Santa Catarina assinala um caminho para transformar o exercício num momento de prazer. Depois de um ano, os pesquisadores observaram que 95% do grupo que praticava dança continuava firme. É quase o dobro da adesão registrada nos programas de exercícios convencionais. Quando o passo acelera o coração na medida certa faz muito bem para a saúde. Os pesquisadores descobriram que o mais importante é acelerar os batimentos cardíacos. Para identificar a frequência ideal os voluntários fizeram testes na esteira. Ao todo, 80% das pessoas que seguiram os programas de atividade física e ficaram de olho no coração disseram que até a vida sexual melhorou. E não precisa muito tempo para sentir a diferença: três meses de exercício físico três vezes por semana já são suficientes.
Um estudo feito pelo departamento de educação física da USP realizou um exame detalhado de: resistência, flexibilidade, pressão, glicemia e colesterol com 113 voluntários. Três meses depois, 88 pessoas foram reavaliadas. O resultado encontrado foi uma redução significativa na pressão arterial, no peso e no colesterol de todo o grupo.
A mulher com seus múltiplos papéis de mãe, mulher, dona-de-casa, trabalhadora e todas as cobranças inerentes a eles, além das causas hormonais, tem duas vezes mais chance de desenvolver depressão e ansiedade do que os homens. E a situação piora ainda mais se ela não se cuidar e ficar parada. Pesquisas já comprovaram que no caso das mulheres sedentárias, a probabilidade de apresentar estes problemas é 15 vezes maior que naquelas que deixam a preguiça de lado e põe o corpo para se mexer. Nesse estudo, da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto, 40 mulheres que tinham depressão e ansiedade foram convidadas a participar de um programa de atividades físicas regulares. O intuito era provar que o exercício podia funcionar como um medicamento. Quando fazemos exercício, nosso cérebro libera substâncias químicas: entre elas, a endorfina e a serotonina, que dão a sensação de bem estar. O resultado mostrou que o nível de ansiedade das mulheres caiu pela metade e a depressão praticamente desapareceu.




quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pesquisas sobre os Transtornos Alimentares no Esporte!

A anorexia nervosa e a bulimia nervosa – transtornos da alimentação – tem tido um considerável e crescente cuidado nas duas últimas décadas em decorrência dos altos índices de sua prevalência e das dificuldades associadas ao seu tratamento. Alguns dados alarmantes são confirmados, como: 15% dos pacientes morrem; formas crônicas estão em 25% deles (baixo peso crônico ou exacerbadas flutuações de peso). Complicações metabólicas (desnutrição), seqüelas psicológicas (transtornos de ansiedade ou do humor) e o isolamento social encontram-se em todos os casos.
“A aneroxia nervosa se caracteriza por um jejum espontâneo e auto-imposto, parte de uma busca incansável por emagrecer e pavor de obesidade.” “A bulimia nervosa é formada por episódios repetidos de ingestão compulsiva de grandes quantidades de alimento em períodos curtos de tempo(episódio bulímico), com sensação de perda completa de controle alimentar e esforços para controlar o peso corporal através da provocação de vômitos e do abuso de laxativos” (NUNES, BUENO & NARDI, 2005, p. 159).  Segundos os mesmos autores, os indivíduos que apresentam o transtorno alimentar são patologicamente preocupados com o peso e a forma física, e tem um desejo muito forte de emagrecer, independente do peso que possuem. E a bulimia nervosa pode ser uma síndrome em diversas doenças médicas ou mais um componente da anorexia nervosa.
Se esses transtornos são ameaçadores e tem conseqüências maléficas, para a população em geral, imagina-os estarem presentes em atletas. Levantei alguns estudos já realizados no ambiente esportivo e os citarei a seguir.
O objetivo do presente estudo foi identificar a presença de transtorno do comportamento alimentar (TCA) ou síndromes precursoras e o grau de distorção da imagem corporal em atletas de elite de nado sincronizado. Foram avaliadas 27 atletas de nado sincronizado, sendo 19 da categoria juniores (15,6 ± 0,8 anos) e oito da categoria de seniores (19,0 ± 1,3 anos) que compunham a seleção brasileira na época do estudo (2000). Um grupo de 32 adolescentes não-atletas (15,0 ± 1,6 anos) foi usado para comparação com as atletas. Os procedimentos metodológicos adotados foram: aplicação de três instrumentos de auto-relato, validados: 1) EAT-26 - presença de comportamentos alimentares inadequados; 2) BITE - presença de atitudes sugestivas de bulimia nervosa; e 3) BSQ - insatisfação da auto-imagem corporal. Embora tanto o grupo de atletas, quanto o de não-atletas tenham apresentado parâmetros antropométricos compatíveis com padrões saudáveis para a idade e sexo, os resultados evidenciaram a presença de insatisfação com a auto-imagem corporal e a adoção de práticas patológicas de controle da massa corporal, sobretudo entre atletas da categoria juniores e entre as adolescentes não-atletas. Os resultados encontrados retratam uma tendência mundial de preocupação com a aparência entre adolescentes capaz de levá-las à adoção de condutas não-saudáveis. Essa modalidade é considerada de risco para desenvolvimento de TCA por valorizar, além de outros aspectos, a leveza e beleza de movimentos que, de certa forma, estão associados a baixa massa corporal. (Perini; Vieira; Vigário; Oliveira;Ornellas;de Oliveira, 2009).
Avaliar a presença de comportamentos bulímicos e sua intensidade entre atletas adolescentes do sexo feminino corredoras de fundo foi o objetivo deste estudo. De um total de 40 atletas adolescentes (16±1,8 ano), registradas na Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, foram estudadas 17 meninas corredoras de fundo. O instrumento utilizado para investigar comportamentos bulímicos e sua gravidade foi o BITE (Bulimic Investigatory of Edinburg), um questionário auto-aplicável, em sua versão em português. Os resultados apontaram que 35,6% das atletas (N=6) apresentavam escores acima do limite de normalidade (=10) e 29,4% (N=5) padrão não usual (entre 10 e 19). Foi detectado um caso com escore superior a 20, indicando presença do problema. No que se refere à gravidade, valores acima de 5 na escala de gravidade do BITE foram considerados significativos, totalizando na amostra apenas um caso. Tendo em vista a detecção de padrões não usuais e mesmo um caso de maior gravidade indicado pelo alto escore encontrado, tornam-se necessários estudos mais abrangentes junto ao segmento focalizado, de modo a subsidiar medidas preventivas. Os resultados indicam, ainda, a necessidade de alertar e informar familiares e profissionais envolvidos no trabalho junto a essas adolescentes sobre o perigo potencial dos comportamentos identificados (Bosia & de Oliveira, 2004).
O objetivo deste estudo foi investigar a ocorrência de distúrbios de atitudes alimentares e sua relação com a distorção da auto-imagem corporal em atletas de judô do estado do Paraná. Foram sujeitos 101 atletas, sendo 71 participantes do JOJUP’s (42 masculino e 29 feminino) e 30 participantes do JAP’s (18 masculino e 12 feminino). Como instrumentos utilizou-se o EAT-26 e o BSQ. Em relação aos distúrbios de atitudes alimentares as judocas-JOJUP´s, apresentaram maior probabilidade de desenvolver distúrbios de atitudes alimentares. Com relação à distorção na imagem corporal, as judocas-JOJUP´s apresentaram pontuação mais elevada sendo sete casos de distorção leve, seis casos de distorção moderada e três de grau grave. Ocorreram diferenças estatisticamente significativas tanto para a presença de distúrbios de atitudes alimentares quanto na distorção de auto-imagem corporal entre o gênero. Foram evidenciadas correlações estatisticamente significativas entre distúrbios de atitudes alimentares e distorção de auto-imagem na categoria JOJUP’s masculino e quando os judocas foram agrupados independente da categoria ou gênero (Vieira; de Oliveira; Vieira; Vissoci; Hoshino; Fernandes, 2006).
O atleta tem no corpo o seu instrumento de trabalho, por isso muitas vezes a exigência de ter um corpo e peso ideal pode levá-lo, em especial, nas modalidades nas quais o peso é fundamental, por exemplo, essas citadas nos estudos (nado sincronizado, atletismo e judô) a desenvolver os transtornos alimentares. As pesquisas no esporte confirmam a maior frequência ocorrida em mulheres, são 20 vezes mais do que nos homens e quanto ao início se dar nesse período relacionado à adolescência. Portanto, é imprescindível que os familiares e a comissão técnica que trabalha diariamente com os atletas, estar atenta aos possíveis sintomas, para caso seja observado algum característico, buscar o tratamento multidisciplinar necessário, pois vários são os fatores envolvidos na gênese desses transtornos, sejam eles: biológicos, genéticos, psicológicos e ambientais.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Dados do Ministério da Saúde sobre a Atividade Física no Brasil!

Em primeiro lugar, considero importante conceituar exercício e atividade física, que são relacionados, porém são conceitos diferentes, e há uma certa confusão e falta de conhecimento em relação a estes.
Atividade física é qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética, portanto voluntário, que resulte num gasto energético acima dos níveis de repouso (inclui-se aqui: atividades ocupacionais (trabalho), atividades da vida diária (vestir-se, banhar-se, comer), deslocamento (transporte) e as atividades de lazer.
Exercício físico é uma das formas de atividade física planejada, estruturada, repetitiva, que objetiva o desenvolvimento ou manutenção da aptidão física, de habilidades motoras ou a reabilitação orgânico-funcional.(inclui-se aqui: atividades de níveis moderados e intensos, como caminhada, corrida e treinamento de força) (Caspersen e col., 1985).
Segundo uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, Florianópolis (a minha Ilha Linda, como eu chamo) foi a capital brasileira campeã em atividade física, uma em cada quatro pessoas que mora aqui faz algum tipo de exercício. A natureza exuberante é realmente convidativa para ir para rua e se exercitar. Não é à toa que a caminhada é o exercício preferido pelos brasileiros. De acordo com a pesquisa do Ministério da Saúde 60% das pessoas ativas caminham. No entanto, neste percurso para uma vida saudável as mulheres ainda estão atrás, pois o número de homens que pratica atividade física regularmente é quase o dobro do número de mulheres.
Hoje em dia e já a algum tempo todo mundo sabe que o exercício faz bem à saúde, os meios de comunicação vem alertando a cada ano, publicando resultados de pesquisas realizadas incessantemente. Mesmo assim, metade das pessoas que recebem indicação médica para fazer atividade física desiste no primeiro ano. Outras 35% não passam do segundo ano. São poucos os que resistem.
 São Paulo ficou como a vice-campeã em inatividade física entre todas as capitais do país. A aceleração dos paulistanos e dos que moram por lá fica somente na ida ao trabalho, pois quando folgam não tem buscado o exercício físico como atividade de lazer. No mapa do sedentarismo do Brasil, a capital paulistana só perde para Porto Velho. Os moradores da capital de Rondônia registram o menor índice de atividade física no tempo livre: 26,3%. Em seguida, os paulistanos, com 27,5%. Algumas desculpas mais freqüentes foram encontradas para deixar de fazer exercício: uns consideram a cidade perigosa, outros alegam falta de tempo mesmo e a dificuldade de locomoção de um lugar para o outro e o trânsito da cidade desmotivam.
Um outro dado interessante neste estudo é que os jovens ao entrar para o mercado de trabalho reduzem de forma significativa os níveis de atividade física.  Dos 18 aos 24 anos 60,1% dos rapazes praticam atividade física nas horas livres. O percentual diminui muito e cai para 42,3 %. Na população masculina, praticamente dobra o excesso de peso e a obesidade. O indivíduo que era ativo sente as consequências da inatividade e mesmo sendo só em pouco mais de um mês parado. Ele já está sofrendo os efeitos do que os especialistas chamam de destreinamento. O destreinamento leva a uma diminuição da resistência cardiovascular, respiratório, muscular e endócrino.
Estes dados recentes comprovam uma vez mais a importância e a eficiência da prática regular de exercícios para o bem-estar físico, psicológico e espiritual do ser humano. Para isso é necessário que cada um de nós se comprometa a fazer uma reengenharia do nosso tempo, ou seja, uma organização da nossa agenda e incluir nela, assim como todos os outros compromissos e afazeres, o hábito saudável da atividade física.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Estabelecimento de Objetivos no Esporte!

O estabelecimento de objetivos é uma habilidade psicológica fundamental a ser trabalhada no contexto esportivo. Algumas vezes o atleta sabe o que quer, no entanto, é preciso fazer ajustes em seus objetivos, verificar se as metas não são irreais/inatingíveis ou, por exemplo, se existem conflitos de objetivos entre a comissão técnica e os atletas. Torna-se essencial dar atenção a estas questões, pois isso pode prejudicar todo um processo de treinamento técnico, tático e físico.
VERNON (1971, p. 11) faz a seguinte consideração sobre motivação: “A motivação é encarada como uma espécie de força interna que emerge, regula, e sustenta todas as nossas ações mais importantes. Contudo, é evidente que a motivação é uma experiência interna que não pode ser estudada diretamente. Deduzimos sua existência e sua natureza a partir da observação e experiência de comportamento.”
Segundo este autor o comportamento motivado pode se apresentar entre dois pólos:
- No primeiro, o sujeito se sente forçado a agir de determinada forma, seu comportamento é impulsivo, sem qualquer objetivo; ele é irracional.
- No segundo, o sujeito já tem consciência de seu objetivo para suas ações, as quais se encontram dirigidas e consistentes.
De acordo com SAMULSKI (1992a) a motivação se caracteriza por um processo ativo, que é dirigido a uma meta, e depende da interação de fatores pessoais (intrínsecos) e ambientais (extrínsecos). Portanto, baseada neste modelo, a motivação tem um determinante energético (nível de ativação) e um determinante de direção do comportamento (intenções, interesses, motivos e metas).
Quanto aos motivos, são divididos em internos e externos. Dentre os primeiros estão os fisiológicos, psicológicos e sociais, afiliação, poder e realização; quanto aos outros, encontram-se incentivos, recompensas e dificuldades.
Em um treinamento psicológico realizado numa equipe de futebol profissional, foi possível obter alguns resultados na entrevista psicológica que comprovam os teóricos citados. Os objetivos relatados encontrados foram:
Objetivos no Clube:
- Subir para série A (24 atletas);
- Voltar ao time A (3 atletas);
- Manter a forma (1 atleta);
- Ser útil (1 atleta);
- Voltar a jogar e ter conquistas (1 atleta);
- Ser titular (1 atleta);
- Ser campeão da Copa SC (1 atleta);
- 2o. objetivo, renovação de contrato (8 atletas).
 Objetivos técnicos:
- Melhorar marcação (5 atletas);
- Melhorar a forma física (5 atletas);
- Treinar o melhor (4 atletas);
- Melhorar a finalização (4 atletas);
- Treinar bolas paradas (2 atletas);
- Cruzamentos de bola aérea (1 atleta);
- Melhorar passe e posicionamento (1 atleta);
- Cuidar da dieta (1 atleta);
- Melhorar os dribles (1 atleta);
- Melhorar o tiro de meta (1 atleta);
- Manter atual condição (1 atleta);
- Melhorar cruzamentos (1 atleta);
- Melhorar a parte clínica (1 atleta);
- Melhorar o tempo de bola (1 atleta);
- Melhorar o cabeceio (1 atleta);
- Melhorar reposição de bola (1 atleta).
Objetivos psicológicos:
- Melhorar confiança (10 atletas);
- Melhorar autocontrole (6 atletas);
- Controlar a ansiedade (5 atletas);
- Trabalhar a atenção (3 atletas);
- Ser mais flexível (1 atleta);
- Melhorar a expressão (1 atleta);
- Exercitar a paciência (1 atleta);
- Se cuidar melhor (1 atleta);
- Exercitar falar não (1 atleta);
- Exercitar meu autoconhecimento (1 atleta);
- Exercitar a liderança (1 atleta);
- Zelar pela imagem profissional (1 atleta).
Inicialmente no levantamento diagnóstico é interessante detectar os objetivos, caso o desportista não os tenha, ajudá-lo a estabelecer, e posteriormente, trabalhar com eles no sentido de acompanharem as ações e atitudes aplicadas no dia a dia do treinamento e das competições para fazer cumprir as metas estabelecidas. O aprimoramento é contínuo e sendo assim quando é atingido um objetivo, outro já é decretado no lugar.